Talvez este trabalho pudesse receber, com maior proveito, outro título, algo mais específico e direto, situando melhor o leitor sobre seu conteúdo. Pensando neste sentido, posso propor a mudança para, por exemplo: “A importância da transferência na clínica junguiana”. Estou deixando o título original, porém, devido à intenção de dar continuidade ao estudo do tema em outra oportunidade, ampliando o que ora está aqui posto. Para levar a cabo a tarefa de compreender a noção de “transferência” a partir de um ponto de vista “junguiano” – ou seja, tomando como base principalmente as observações e formulações surgidas a partir do trabalho de Jung enquanto estudioso do campo da psicologia –, é necessário rastrear sua presença ao longo da volumosa e densa obra do próprio Jung. Neste sentido, é preciso levar em conta, antes de tudo, que as chamadas “obras completas” de Jung, talvez um dos aspectos mais conhecidos e acessíveis de seu legado, em sua versão em português, compreendem um total de dezoito volumes, a maioria deles subdividida em dois ou mais tomos, todos atualmente apresentados em brochura. À parte deste conjunto, outros livros como “O homem e seus símbolos” e “Memórias, sonhos, reflexões”, também em português, continuam sendo publicados por outra editora, não figurando, portanto, nas “obras completas”. Entretanto, mais importante do que esta relativa dispersão, sabe-se que Jung produziu muitos trabalhos escritos ainda não publicados em qualquer idioma, compondo efetivamente um vasto campo de obras inéditas. De acordo com estimativas recentes, é possível dizer que “há uma quantidade suficiente de manuscritos inéditos para ocupar pelo menos mais uma meia dúzia de volumes”! (5) Como exemplo deste universo ainda completamente desconhecido do público em geral, podemos referir o já célebre “Livro Vermelho” – onde Jung registrava suas fantasias, desenhos e pensamentos a respeito de suas vivências interiores – que está por vir a público somente agora, em 2010, mais de quarenta anos depois de sua morte, após um grande esforço em conjunto para tirá-lo da obscuridade e viabilizá-lo comercialmente. Segundo nos conta Sonu Shamdasani, responsável direto por esta façanha, apenas a partir do ano de 2000 é que os herdeiros de C. G. Jung decidiram liberar este trabalho para publicação, apesar de sua enorme importância como fonte de referência.
“Meu trabalho com o Livro Vermelho, iniciado em 1996, *transformou meu entendimento da obra de Jung, e permitiu-me compreender sua gênese”. (5) (p. 39)
Além disso, ainda segundo Shamdasani, é seguro dizer que apenas cerca de dez por cento de toda a correspondência de Jung está publicada. (5) A intenção de trazer à tona neste trabalho a situação em que se encontra a obra de Jung, um tanto fragmentada e incompleta, é, de qualquer forma, mais ilustrativa do que outra coisa. Seu legado entre nós continua também presente através dos vários institutos espalhados pelo mundo, onde não só seu trabalho escrito sobrevive, mas onde há também em circulação uma espécie de “tradição oral” que, embora discreta, está presente e igualmente viva, apesar de nem sempre se encontrar diretamente acessível àqueles interessados por seu trabalho, excetuando os analistas e os analistas em formação. Por outro lado, mesmo que fosse absoluta e definitivamente completa, ainda assim, sua obra seria passível de “interpretações” as mais _____________ *Os grifos e os escritos entre parêntese são sempre meus em todas as citações. diversas e inclusive contraditórias, tal como parece ter sido sua própria presença entre nós em alguns momentos. Convém lembrar que mesmo focando nosso olhar tão somente na obra escrita de Jung, é importante reconhecer seu caráter mutável, como diz, com propriedade, Nise da Silveira:
“A obra de Jung é comparável a um organismo vivo que cresce, se desenvolve e se transforma simultaneamente com o seu autor”. (6) (p.21)
Assim, cientes de toda esta situação, bem como das dificuldades sempre presentes quanto à tradução de qualquer material para outros idiomas que não aquele que serviu de veículo original de exposição das idéias de seu autor, estamos em condições de prosseguir em nossa pesquisa sobre um dos mais significativos temas da prática clínica, identificando logo a seguir certos pontos-chave presentes em toda a trajetória desta noção através do tempo. Como se sabe, a vida profissional de Jung iniciou no Burgholzli, um dos mais conceituados hospitais de toda a Europa, situado em Zurique, na Suíça. Foi naquele verdadeiro “centro de referência” europeu que Jung desenvolveu, logo no início de sua promissora e já brilhante carreira, os famosos estudos sobre associações de palavras. Tais estudos posteriormente o levaram a se aproximar de Freud, o eminente vienense que estava à testa do então jovem movimento psicanalítico, já que as descobertas e conclusões dos trabalhos de Jung pareciam confirmar experimentalmente – uma perspectiva cientificamente da mais alta credibilidade nos meios acadêmicos – o que a psicanálise de Freud estava constatando a partir de outra perspectiva, a clínica. Antes do primeiro encontro pessoal entre eles, teve início um período de intensa troca de correspondências e com isto certamente foi sendo nutrida uma crescente admiração mútua à distância, o que deve ter contribuído em muito para a construção de um contexto visivelmente favorável e estimulante, presente naquele encontro histórico ocorrido em 3 de março de 1907, onde Freud e Jung conversaram de forma praticamente contínua durante cerca de treze horas. De acordo com o que nos narra o biógrafo profissional Frank McLynn, ainda neste primeiro encontro, em dado momento Freud perguntou de chofre a Jung o que ele pensava a cerca da transferência, ao que Jung respondeu que “era o alfa e o ômega do método analítico”. Freud sorriu com prazer e comentou: “Você captou o essencial”. (1) A julgar pela forma como Jung respondeu à inquirição direta e aparentemente inesperada de Freud sobre o assunto, a noção de transferência referida por ele naquele momento, além de figurar como o “início” e o “fim” de todo o processo terapêutico, estava sendo colocada como um conceito absolutamente basilar no método, assumindo uma função central e mesmo de “sustentação” daquela construção denominada recentemente de “psicanálise”. O próprio Jung reconheceu o quanto valorizava a transferência naquele período, ao recontar este trecho do primeiro encontro pessoal com Freud no prólogo e nas linhas iniciais da introdução de um de seus mais conhecidos e complexos estudos sobre o tema, justamente aquele em que ele examina uma série de gravuras alquímicas presentes no Rosarium Philosophorum, em 1945:
“A grande importância que FREUD atribuía ao fenômeno da transferência ficou clara para mim, por ocasião do nosso primeiro encontro pessoal, no ano de 1907. Após várias horas de entrevista, fizemos uma pausa. Bruscamente perguntou-me: “E o que o senhor pensa da transferência?Respondi com a mais profunda convicção, que era o alfa e o ômega do método analítico, ao que ele retrucou: “Pois então o senhor entendeu o essencial”.
“Apesar de eu ter, inicialmente, atribuído uma importância suprema à transferência, como FREUD, tive de reconhecer, à medida que minhas experiências se multiplicavam, que até esta importância é relativa”. (3) (§ 358/9)
Inicialmente bastante afinado com as concepções do próprio Freud, Jung parecia conceber a transferência não só como o “alfa” e o “ômega” do método, mas também como seu centro, colocando todos os demais fenômenos presentes na análise como que gravitando em trono daquele verdadeiro Sol, a transferência. A psicanálise freudiana, ao que parece, persistiu na utilização deste modelo teórico, concebendo o universo das relações interpessoais, especialmente aquelas que envolvem o analista e o paciente, como o único centro gravitacional presente em sua proposta terapêutica. A partir deste ponto básico, foi elaborada a noção que conhecemos hoje como “neurose de transferência”, onde a cura se dá a partir de sua resolução. Entre os junguianos, apenas a escola desenvolvimentista encabeçada por Michael Fordham trabalha quase que exclusivamente com a transferência. Muitos de seus praticantes utilizam até mesmo o clássico divã como integrante de seu mobiliário ou equipamento de trabalho. Na introdução de seu livro “O encontro analítico”, Mario Jacoby nos informa que:
“O relacionamento psicológico entre o analista e o paciente ou analisando, tão fundamental para qualquer atividade terapêutica, é relativamente negligenciado na prática e na literatura dos junguianos. Uma importante exceção é o trabalho da escola londrina de psicologia analítica inspirada por Michael Fordham, no qual o interesse clínico está voltado quase exclusivamente para a observação e interpretação da transferência e da contratransferência. (...) De maneira geral, entretanto, há maior interesse entre os junguianos no material do inconsciente (sonhos, desenhos, etc.) do que nas inter-relações entre o analista e o analisando.” (2) (p.9)
Aquilo que podemos chamar metaforicamente de “centro gravitacional da análise” varia de escola para escola de pensamento junguiano e a escola desenvolvimentista mantém a noção de transferência como sendo este o principal – talvez único – núcleo do processo analítico. Nas demais escolas em que o legado junguiano se ramificou – a escola clássica e a escola arquetípica –, a ênfase não recai sobre a transferência, incidindo sobre outros aspectos, conforme a escola. Possivelmente vem daí a “relativa negligência” referida por Jacoby quanto ao estudo do tema entre os junguianos, já que este não figura como o elemento principal de suas propostas de trabalho analítico. Prosseguindo na leitura de Jung, vemos que
“A enorme importância da transferência tem dado ensejo ao equívoco de se supor que ela é indispensável à cura, sendo portanto uma exigência *(igualmente indispensável do método analítico) (...) este fenômeno é apenas um dos fatores terapêuticos... (3) (§ 359)
Nesta passagem Jung confirma a “enorme importância da transferência”, mas opõe-se frontalmente à intenção subjacente de incorporá-la artificialmente à análise, como sendo um procedimento de manejo técnico por parte do analista, cabendo a este “criá-la” e/ou _____________ *Lembrando: Os grifos e os escritos entre parêntese são sempre meus em todas as citações.
“incentivá-la” de acordo com seu comando e conveniência, como se este procedimento fosse algo absolutamente imprescindível ao próprio sucesso do processo terapêutico. Jung entendia a transferência como um fenômeno natural e de intensidade variável, dependendo de cada caso, e era com esta realidade espontânea que o psicoterapeuta precisava trabalhar diretamente no decorrer de sua atividade clínica. Jung deixa bem claro este aspecto de seu pensamento na introdução do estudo sobre o Rosarium Philosophorum, nas notas de rodapé (14 e 15), quando comenta as concepções de Freud, por ele citadas:
“A doença própria do paciente é substituída pela doença da transferência que é produzida artificialmente, e os diversos objetos irreais da libido são substituídos por um único objeto, igualmente fantástico, o da pessoa do médico”. (Freud) “A afirmação de que a transferência é criada sempre artificialmente pode ser contestada, e com razão, porquanto esse fenômeno também ocorre independentemente de qualquer tratamento, e até com bastante freqüência, como um fato natural. (...) O autor exagera aqui um pouco a importância do seu papel *(enquanto analista). Nem sempre a transferência é produzida pelo médico. Muitas vezes ela já está aí, em toda sua pujança, antes mesmo que ele abra a boca. (...) Mas esta neurose *(a de transferência) não é “nova” nem “artificial” nem “criada”; é a mesma neurose de antes, sendo que a única novidade é que agora o médico está envolvido nela, muito mais como vítima do que como seu causador”. (Jung) (3)
A concepção que tinha Jung sobre a transferência era de que se tratava de um tipo particular de projeção.
“Übertragung” (transferência) é o termo alemão para “Projektion” (projeção), fenômeno impossível de se exigir. (3) (§ 359) “O processo psicológico da transferência é uma forma específica do desenvolvimento mais generalizado da projeção”. (4) (§ 312) “A projeção (...) nunca é um ato voluntário (...) presumimos que aquilo que observamos no objeto não é subjetivo, mas inerente ao objeto (...) *(além disso) é de natureza emocional e compulsória (...) as emoções não são manejáveis, como as idéias e os pensamentos, pois são idênticas a certas condições físicas, e portanto profundamente enraizadas na matéria do corpo. Por conseguinte a emoção dos conteúdos projetados sempre forma uma ligação, uma espécie de relacionamento dinâmico entre o sujeito e o objeto, que é a transferência”. (4) (§ 314s)
Antes mesmo do surgimento da “ligação” propriamente dita, que envolve diretamente e no mesmo “laço” o “sujeito” e o “objeto” da projeção, há a elaboração de uma fantasia originada na interioridade de quem projeta e que é, ao mesmo tempo, totalmente independente de quem recebe a projeção.
“Ocasionalmente uma transferência pode brotar mesmo antes do primeiro encontro. Quer dizer, antes ou fora do tratamento. (...) O que vem provar, mais uma vez, que essa projeção não tem nada a ver com a personalidade real do terapeuta”. (4) (§ 329)
Jung conta, então, que havia recebido uma carta de uma senhora solicitando uma consulta. Ele não conhecia a solicitante pessoalmente; apenas a tinha visto num encontro social, tempos antes de ter recebido a sua carta. No dia combinado para a consulta, ele veio recebê-la e, antes de entrar na sala de atendimento, ela disse:
“Eu não quero entrar”. Eu lhe disse: A senhora não precisa entrar; pode ir embora, é claro! Não tenho absolutamente interesse em tê-la aqui, se isso for contra a sua vontade. E ela retrucou: “Mas eu preciso”. Respondi: Não a estou forçando. “Mas o senhor forçou-me a vir”. Mas como eu fiz isso? (...) Ela já fizera algum tipo de projeção carregada de valor emocional tão alto que se tornava simplesmente irresistível. Era magicamente arrastada em minha direção...”. (4) (§ 330)
Este exemplo deixa evidente a existência de uma fantasia ativa na interioridade daquela senhora, anterior àquilo que poderíamos chamar de relacionamento mútuo entre ela e o próprio Jung. A partir de algum momento, ela como que “incorporou” a figura dele em sua fantasia, atribuindo-lhe inconscientemente inclusive um papel psicodinâmico em sua interioridade. Pelo que podemos notar, ela lutava com duas tendências antagônicas em seu íntimo: “ir” ou “não ir” à consulta. Ela havia colocado Jung ao lado ou à frente do impulso de “ir”, enquanto que parte de sua interioridade ainda resistia a esta ação, assumindo o lado de “não ir”. Ambos os “lados” ainda se confrontavam naquele momento do encontro e, involuntariamente, Jung participava desta dinâmica interna, a transferência, como um personagem ativo deste drama interior. Somente a partir do encontro é que Jung pode constatar sua condição perante àquela senhora. Por outro lado, toda fantasia, uma vez projetada e carregada de emoção, irá, invariavelmente, “contagiar” psiquicamente o outro, cujo sistema estará naturalmente reagindo também psiquicamente a este contágio.
“A projeção de conteúdos emocionais sempre tem uma influência particular. As emoções são contagiosas (...) Qualquer processo de tipo emocional imediatamente origina processos semelhantes nas outras pessoas. (...) Em psicoterapia, mesmo quando o médico está inteiramente desligado dos conteúdos emocionais do paciente, o simples fato de esse paciente ter emoções já exerce seu efeito sobre o analista. É um grande engano o médico julgar que está isento disso. O máximo que pode acontecer é ele ter consciência do fato de estar afetado, e se isso não acontecer, ele estará tão indefeso que começará a ser levado por esse fator. É mesmo seu dever aceitar as emoções do paciente e servir de espelho para elas. Aí está a razão de eu rejeitar a idéia de colocar o paciente num sofá e sentar-me atrás dele. Meus pacientes sentam-se à minha frente e converso com eles como um ser humano conversa com outro, de maneira natural; exponho-me totalmente e reajo sem restrições”. (4) (§ 318/9)
Fica claro que não há, no entender de Jung, qualquer forma possível de proteção ao que ele chama de “contágio emocional”. Uma vez ativada a emoção em certo sistema psíquico, ela atua diretamente no outro sistema. Não há qualquer disposição artificial, dos móveis do ambiente do consultório, por exemplo, que possa excluir, anular, ou mesmo diminuir o impacto deste fator, tanto para o analista, quanto para o paciente. Se, de fato, a proposta do divã, com o analista fora do campo visual do paciente, fosse imprescindível ao trabalho terapêutico, várias técnicas amplamente utilizadas na clínica junguiana e em outras se mostrariam inviáveis ou repletas de dificuldades técnicas dificilmente equacionáveis de maneira satisfatória a fim de viabilizar sua utilização terapêutica. Entretanto, o que acontece é exatamente o contrário, mostrando que uma das riquezas da proposta junguiana é justamente sua flexibilidade, abertura e ampliação para outras modalidades de interação entre analista e paciente. Além do mais, a proposta do “divã analítico” concentra-se exclusivamente na interação a partir da fala, da linguagem verbal. A proposta de Jung naturalmente se abre para outras formas de expressão e de exploração do inconsciente no “setting” terapêutico. Atribuindo um valor relativo à transferência – retirando-a de sua posição central no processo, embora reconhecendo sua importância no contexto da análise – e, ainda, se mostrando totalmente contrário ao procedimento de manejá-la artificialmente como um recurso técnico em poder do analista (neurose de transferência), Jung fez um pronunciamento contundente e radical sobre o tema à platéia presente nas Conferências de Tavistock, quase toda composta por analistas freudianos:
“Uma transferência é sempre um obstáculo; nunca uma vantagem. Você cura apesar da transferência, não por causa dela... (2) (p. 9) Transferência ou não-transferência, isso não tem nenhuma relação com a cura... Se não houver transferência, tanto melhor”. (2) (p. 9)
Ainda nas Conferências de Tavistock encontramos:
“Não é a transferência que possibilita ao paciente trazer à luz os elementos; você obtém dos sonhos todo o material que poderia desejar. Os sonhos trazem à tona tudo o que é necessário”. (2) (p. 9)
Nas citações acima, vemos que a transferência, embora “diminuída” e mesmo “deslocada” de sua posição anteriormente central, é confirmada como fonte de matéria prima na análise, tal como o sonho, embora este surja claramente como o elemento preferencial para Jung na obtenção de “material analítico” a ser trabalhado durante o processo. A presença da transferência na psicoterapia, segundo Jung:
“... pode ser comparada àqueles medicamentos que para uns são remédio e, para outros, puro veneno. A sua ocorrência significa em certos casos uma mudança para melhor, em outros, um entrave, um peso, ou coisa pior, e num terceiro caso, finalmente, pode ser relativamente irrelevante”. (3) (p. 35)
A transferência simplesmente acontece ou não acontece naturalmente e não é uma panacéia a ser “receitada” indiscriminadamente pelo terapeuta, pois não funciona do mesmo modo para todos. Ainda com base em Jung, podemos dizer que é sempre um fenômeno de peso e que brilha nas mais diversas cores e intensidades, estando relacionada, também, com o próprio êxito ou fracasso do tratamento.
“Creio que não é exagero supor que praticamente todos os casos que requerem um tratamento prolongado gravitam em torno do problema da transferência”. (3) (p.35) – talvez não como gravitariam em torno do verdadeiro Sol da análise, mas, ainda assim, em torno de um importante núcleo do processo analítico.
Em certo momento Jung nos informa sobre sua preferência pessoal quanto ao trabalho com a transferência em sua prática clínica:
“Quanto a mim, sempre fico satisfeito, quando a transferência transcorre de maneira suave ou praticamente imperceptível. Nestes casos, ficamos muito menos absorvidos...”. (4) (§ 359)
A proposta de análise junguiana oferece e oportuniza o trabalho terapêutico a partir de várias fontes de material analítico, entre elas os sonhos, desenhos, caixa de areia, imaginação ativa, transferência e outras. Sua utilização depende de vários fatores e critérios, incluindo a própria personalidade dos integrantes do par analítico, momento do processo, além de ouros.
BIBLIOGRAFIA 1.MC LYNN, Frank. Carl Gustav Jung – Uma Biografia. Record. 2.JACOBY, Mario. O Encontro Analítico. Cultrix 3.JUNG, Carl Gustav. Ab-Reação, Análise dos sonhos, Transferência. Vozes. 4.JUNG, Carl Gustav. A Vida Simbólica. Vozes. 5SHAMDASANI, Sonu. Jung e a Construção da Psicologia Moderna – O Sonho de uma Ciência. Idéias e Letras. 6.SILVEIRA, Nise da. Jung – vida e obra. Paz e Terra.
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