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O início daquele ano se mostrava bastante promissor para o jovem neófito, pois ele, enfim, havia ingressado no tão desejado curso superior de psicologia, numa respeitada universidade do país. “Ah! Maravilha”! – vibrava o jovem, incontido. “Agora sim, posso me dedicar inteiramente ao estudo daquilo que gosto de verdade! Nada daquelas chatices inúteis e de decorebas mecânicas e bla, bla, bla...” – dizia-se aliviado e esperançoso. Ele dava as boas vindas à nova etapa de vida e imaginava, com alegria, o convívio com outros alunos, unidos por interesses semelhantes aos seus. Mesmo antes do ingresso oficial no círculo universitário, ele se considerava um autêntico estudioso da matéria. Afinal, já se encontrava envolvido com leituras a respeito da área, especialmente sobre a noção desafiadora do inconsciente. Ele ainda não havia percebido que seu maior pesadelo do segundo grau – a matemática – não o havia abandonado definitivamente nessa sua nova etapa, apresentando-se apenas em outra roupagem, ainda mais exigente do que a anterior, ganhando a denominação de “estatística aplicada”. Aliás, outras disciplinas igualmente desagradáveis ao seu gosto e à sua tendência mais espontânea, desfilariam aos poucos pela grade curricular durante todo o curso, lembrando-lhe sempre aquela famosa expressão poética: “no meio do caminho tinha uma pedra; tinha uma pedra no meio do caminho”. Ele ainda não sabia, mas as pedras do caminho não desaparecem de repente, especialmente aquelas encontradas nas trilhas, que, diferentemente das auto-estradas, se mostram como uma trajetória pessoal e individualizada. Pedras – algumas maiores, algumas menores; algumas tão grandes que podem interromper a própria trilha; outras, tão pequeninas e em número tão inacreditavelmente superlativo que, reunidas num conjunto uniforme, compõem uma espécie de tapete macio a acariciar nossos pés e que conhecemos pelo nome de “areia”. O mais importante – e ele saberia disso somente mais tarde – é que havia um caminho a ser percorrido integralmente. Tal como os peregrinos de Compostela, tal como os andarilhos de tantas outras trilhas sagradas e tal como cada um de nós que acompanha de perto suas próprias pegadas a trilhar pelo mundo, ele, um dia, reconheceria agradecido: “Estou no Caminho, o meu Caminho, a minha individuação”. Mal iniciado o semestre, ele já havia elaborado um intenso programa de estudos e de “leituras básicas”, pois grande era seu entusiasmo. Dentre tudo, o que mais lhe despertava o interesse era a psicologia de Carl Gustav Jung, autor que ele não via a hora de estudar em profundidade em sala de aula. Cedo ele descobriria, porém, que Jung era justamente um dos autores que menos figurava em toda a programação do curso que ora ingressava. E mais: Jung era praticamente excluído não só da grade curricular daquela faculdade específica, mas da maioria das faculdades de psicologia espalhadas por todo o país. “Que estranho”! – pensava ele. “Por que será”? – perguntava-se curioso e inquieto. “Jung é conhecido e referido constantemente por vários estudiosos, inclusive por cientistas de diversas outras áreas do saber. Como é possível que alguém tão citado, tão conhecido e de igualmente reconhecida importância no cenário internacional seja ignorado justamente nos redutos da Psicologia Acadêmica? Pois olha, pensando bem, afinal, o que será que aconteceu que culminou com a saída de Jung do movimento psicanalítico”? Tais questionamentos lhe conduziam a investigar melhor aquele panorama por demais obscuro. Ele sabia que corria nos meios universitários em que freqüentava uma espécie de “versão oficial” que pretendia dar conta dessa situação. Essa fala era ouvida em vários locais e proferida de forma reticente por vários de seus professores. Nessa “versão”, eram sempre lembradas aberta e claramente as divergências teóricas entre Jung e Freud. “Teria sido isso? Estranho”! – admirava-se ele, ainda incrédulo, pois ao examinar de maneira crítica tais pronunciamentos, parecia-lhe que faltava alguma coisa. Mas, o quê? Ao mesmo tempo, havia também, invariavelmente, a alcunha de “místico”, atribuída a Jung, o que sugeria de alguma forma que Jung, originalmente um homem de ciência, havia “perdido o caminho” para dedicar-se a “temas religiosos”. “Será? O que teria acontecido com Jung? O que, de fato, teria ocorrido naquele período histórico longínquo”? – continuava a perguntar-se. Era visível que nosso curioso desbravador não era dado a simplesmente “engolir” a primeira resposta que lhe ofereciam, mesmo que tais ensinamentos viessem de seus atuais professores. A busca de nosso estudioso o levaria a constatar que a história, certamente, tem muitas facetas e que, embora não possam encerrar de modo definitivo as questões humanas, pelo menos lançam uma nova luz sobre aspectos menos evidentes. Ávido por descobrir o que o passado tinha a lhe dizer, ia percorrendo com um olhar atento os registros que lhe contavam algo sobre o período do início do relacionamento entre Jung e Freud. Após uma fase de farta correspondência, o primeiro encontro pessoal entre eles se deu num domingo, no dia 3 de março de 1907, na casa de Freud. O encontro durou cerca de treze horas de intensa e praticamente contínua conversação! Ao final, era evidente que nascia uma grande admiração mútua entre eles. Além de ter se sentido muito próximo afetivamente a Jung, pelo menos na superfície, Freud percebeu igualmente, de imediato, a importância daquele jovem para o próprio movimento psicanalítico: inteligente, psiquiatra promissor, de carreira brilhante e em rápida ascensão, engajado num hospital de ponta e de muito prestígio junto à comunidade científica européia e, além disso, autor de um trabalho consistente e inquestionavelmente de grande valor científico, sobre associações de palavras, que confirmava certas posições de uma psicanálise polêmica e bastante contestada em seu início de percurso. Basta lembrar a intensa reação dos auditórios às palestras psicanalíticas e à fraca receptividade de suas publicações. ”A Interpretação dos Sonhos”, de Freud, que viria a se tornar um clássico, posteriormente, vendeu muito pouco em seus primeiros anos e Jung – um estudioso atento e afinado aos desenvolvimentos de vanguarda de seu tempo – foi um dos raríssimos leitores em sua primeira edição, sendo também defensor ferrenho das idéias de Freud naquela época. A boa impressão que o suíço havia deixado no mestre de Viena foi tanta, que Freud já o havia escolhido como seu “filho predileto” e “príncipe herdeiro”, tencionando colocá-lo numa posição de destaque no movimento psicanalítico. Para garantir a realização de seu desejo, Freud, entretanto, teve de empenhar-se muito nessa empreitada. Como se sabe, mesmo a influência direta do mestre sobre o grupo original de analistas não foi, por si só, suficiente para garantir de imediato seu intento. Somente depois de intensas, acirradas e intermináveis discussões internas, por fim, Jung foi levado, a contra gosto da maioria dos integrantes do grupo, a assumir o cargo de presidente da Associação Psicanalítica em sua primeiríssima gestão. Também se sabe – embora isto seja facilmente esquecido, negligenciado ou intencionalmente diminuído em sua importância – que o grupo dirigido por Freud, incluindo o próprio líder, era composto por judeus. “Mas, que importância tem isso”? – perguntava-se nosso jovem. Percorrendo apenas de passagem a história européia, nosso estudioso facilmente pode concluir que os integrantes iniciais do movimento psicanalítico viviam em meio a uma Europa instável e exageradamente sensibilizada pela questão semita, onde, de tempos em tempos, aqui ou ali, de repente, estourava mais uma perseguição ao povo hebreu, o que levava muitos dos seus, quando não à morte sumária, a um progressivo, lento e doloroso processo de fuga e de “conversão” forçada ao cristianismo – por conveniência – ou à adoção de um vazio religioso e cultural – em último caso – incluindo a adoção de nomes e de sobrenomes populares no país onde residiam, tudo com o intuito de disfarçar sua origem e sua estirpe, evitando, assim, a sua total aniquilação, bem como o fim de seus familiares e de seus iguais. Sobrevivência era o lema. Importante considerar, portanto, que as ações de Hitler, embora devastadoras em termos numéricos, definitivamente não foram as primeiras que continham a intenção de extermínio completo do povo hebreu. Com o domínio do Kaiser, uma nova onda de terror iria, enfim, emergir naquele mar revolto apenas alguns anos mais tarde do primeiro encontro ocorrido entre Jung e Freud, invadindo um solo alemão já devidamente preparado para fazer eclodir, mais uma vez, o pavor e a destruição. Ao nosso jovem “historiador”, foi possível reconhecer ainda que, mesmo em Portugal, numa terra considerada bastante acolhedora, no período da descoberta do Brasil, os judeus tiveram muitas baixas motivadas por perseguições. ³ Profundas cicatrizes e feridas ainda não cicatrizadas compunham o contexto em que vivia aquele grupo de pioneiros. Não era, portanto, à toa que Freud – com medo de que a psicanálise, sua filha querida, fosse rechaçada ou mesmo destruída apenas por puro preconceito – dirigia, de modo intencional e paralelamente à sua produção teórica, uma verdadeira “cruzada às avessas” ao mundo científico da época, para levar a boa nova da Psicanálise a todos indistintamente: judeus, cristãos e outros. De posse dessas informações, nosso estudioso passou a levantar uma série de questões. “Como teria sido, então, recebida pelo grupo freudiano a decisão de seu líder de colocar justamente Jung – um cristão e, ainda por cima, um recém chegado – em flagrante destaque e à frente do movimento psicanalítico”? “A ação de Freud teria sido recebida pelo grupo como uma espécie de “traição racial”? – afinal, Jung definitivamente não podia ser considerado pelo grupo como “um dos nossos””! “Teria, portanto, Freud tocado e ativado inadvertidamente algum conflito no interior das fileiras do próprio movimento que pretendia defender de possíveis “inimigos externos””? “Teria acontecido, a partir disso, uma “revolta silenciosa” do grupo contra Jung”? “Qual seria a atitude do grupo em relação a Freud”? “A condição de Jung nos meios acadêmicos atuais teria se desenvolvido a partir de alguma raiz daqueles longínquos eventos”? Muitas perguntas, poucas respostas. O certo é que Jung, embora não fosse o único, acabou deixando o movimento psicanalítico em meio a uma intensa campanha difamatória, vindo a fundar sua própria escola: a psicologia analítica ou psicologia complexa. Foi num volumoso livro de autoria de Frank McLynn que nosso estudante descobriu que, por volta de 1913, “enquanto se sucediam as rupturas no movimento psicanalítico, Jung tornou-se cada vez mais agitado e mentalmente desequilibrado” (p.251)² .“Percebendo a iminência do colapso nervoso, Jung resolveu proceder a uma auto-análise” (p.251)² ao mesmo tempo em que se dedicava à construção de uma cidade em miniatura, dividindo, então, seu dia de trabalho entre aquela construção e a atividade clínica. De acordo com McLynn, “Seu medo recôndito era de estar contaminado pela loucura da bisavó materna, vivenciando uma esquizofrenia incipiente” (p. 252)² . Naquele período crítico e que durou alguns anos, Jung teve visões e ”costumava conversar com Filémon no jardim em Küsnacht, como se ele fosse uma pessoa de verdade, transcrevendo diálogos inteiros no Livro Negro...” (p. 256)² . Tempos depois, esse procedimento (diálogos com personagens imaginários) acabaria por ser utilizado como uma técnica terapêutica – a imaginação ativa. ”Resolvido a travar luta no território do inimigo, mergulhado no “continente escuro”, ele anotou a data exata em que “se deixou ir”: 12 de dezembro de 1913” (p. 253)² . Ao mesmo tempo, permanentemente “temeroso de que viesse a perder o comando de si mesmo, tornando-se presa fácil de suas próprias fantasias, ponderou que tinha de correr o risco, pois como podia esperar que seus pacientes fizessem o que ele mesmo não podia fazer”? (p. 259)² . Para a surpresa de nosso interessado leitor acadêmico, aquelas referências não davam margem a dúvidas: Jung esteve mentalmente perturbado, experimentando na própria pele um estado idêntico àquele vivido por seus pacientes. “Mas – perguntava-se ele – não deveria ser o médico, aquele que trata dos mentalmente desequilibrados, justamente o mais equilibrado dentre todos”? Todas suas fantasias e seus questionamentos evocavam direta ou indiretamente a forma como o modelo médico tende a abordar e a compreender o trabalho com a psique: há, de um lado, o doente, o enfermo a ser curado e, do outro, o médico, mentalmente sadio, que cura o doente. Até então, aliás, ele próprio tinha a impressão de que todos os psicólogos e psiquiatras, especialmente os famosos, eram como que um exemplo, um modelo de equilíbrio soberano sobre as vicissitudes dos “outros”, os doentes. Essa condição do terapeuta parecia figurar inclusive como um pré-requisito para o exercício bem sucedido da profissão. As leituras sobre Jung, sobre seu trabalho e sua vida eram feitas em paralelo com outras disciplinas: “Psicologia Social”, “Psicologia Organizacional”, “Psicologia da Personalidade” – bem, a lista era grande. O estudo da personalidade, por exemplo, tinha uma ênfase marcantemente freudiana. Freud, aliás, era reconhecido por todos como um autor de peso. Não era sem razão que o conhecido mestre vienense havia recebido um importante prêmio de literatura, o que, por outro lado, não deixava de ser uma ironia, pois um “cientista” costuma ser premiado por sua produção científica, e não por sua habilidade na lida com as letras. Fosse como fosse, Freud passou a ocupar o foco de suas atenções em certo período de seus estudos acadêmicos. Do mesmo modo como havia acontecido com Jung, o trabalho de Freud, o conhecido “pai da psicanálise”, necessitava ser complementado por algumas informações biográficas. Seus estudos biográficos passaram, contudo, a lhe indicar que a denominação de “pai da psicanálise” atribuída a Freud era, de fato, equivocada, ou, no mínimo, parcial, já que a alcunha de “pai”, rigorosamente, lhe parecia caber melhor a Breuer – médico vienense e amigo particular de Freud àquela época – que, efetivamente, iniciou a prática psicanalítica a partir do famoso caso de Ana O. , num período em que a “menina”, recém-nascida depois de um parto bem difícil, sequer tinha recebido seu próprio nome: “Psicanálise”. Para nosso estudante, estava claro que, para se fazer justiça quanto à questão da paternidade da psicanálise, era mister reconhecer que tanto Breuer quanto Freud, foram efetivamente seus pais. No entanto, metaforicamente falando, a Breuer correspondia o papel de “pai biológico”, enquanto que Freud podia ser considerado o “pai adotivo”, tendo assumido sozinho a criação da Psicanálise a partir do abandono de Breuer, que se retirou em definitivo da cena psicanalítica. Ao que tudo indica, o desligamento de Breuer foi configurado de tal modo, que sua própria condição de “pai” lhe foi negada por aqueles que ficaram no movimento e, depois, negada também pela história, que continuou a omitir sistematicamente o fato, contando os eventos de modo distorcido. “Que estranho!” – dizia-se perplexo nosso jovem. “Teria sido intencional”? – perguntava-se. A história oficial, ao que parece, não vê assim. Ainda nas leituras biográficas sobre Freud, o jovem e entusiasmado estudioso acabou por descobrir que, tal como acontecera com Jung, também Freud tinha passado por um período de auto-análise e era dado a desmaios constantes e outros sintomas, tal como referia aquela mesma literatura premiada que produzia sobre seus próprios pacientes. “Que coisa! Freud também”! – sussurrava admirado. A imaginação do jovem estudante procurava respostas em todo o canto: “Vai ver que isso tem a ver com o próprio estudo da psicanálise! Sabe como é, psicologia profunda... hum. Pode ser também porque Jung e Freud eram muito próximos emocionalmente e como já foi dito em algum lugar: “tal pai, tal filho”– dizia, sem convicção. Mesmo repleto de informações, seu pensamento ainda não havia atingido o cerne da questão. Durante o tempo da faculdade, muitas outras biografias de terapeutas famosos surgiriam e histórias semelhantes, incluindo a de Eduard Bach – o criador da terapia floral – desfilariam diante de seus olhos, parecendo repetir uma série de elementos comuns. Mesmo nos casos de terapeutas que lidavam com abordagens ditas “alternativas” ou abertamente nada psicológicas, seria possível identificar um padrão de distúrbio ou de doença de parte do terapeuta. Seria assim também com Mikau Usui, o mestre iniciador do Reiki, e tantos outros. Ao final dessa extensa e relativamente heterogênea coleção de biografias, duas coisas lhe pareciam evidentes: 1) a existência de um padrão típico presente em várias histórias e 2) a existência de uma ligação específica entre o distúrbio do terapeuta e a natureza da própria atividade por ele desenvolvida. Durante um tempo, aquelas informações e conclusões parciais se mantiveram em sua mente, como que aguardando o momento preciso para reaparecerem. Conta-se que, no Oriente, há uma máxima que diz: “quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”. Coincidência ou não – ele ainda não estava preparado para utilizar a noção de sincronicidade – foi precisamente através de um dos estudos de Jung que nosso jovem encontrou Quíron, o personagem mítico, meio animal e meio homem (um centauro), grande conhecedor das artes terapêuticas e que, ao mesmo tempo, foi ferido por uma flecha envenenada responsável por produzir uma ferida mágica e incurável. Tal como aconteceu com o próprio Jung, tal como aconteceu com Freud e tantos outros mestres nas artes terapêuticas, Quíron, o curador mítico e atemporal, também vivia – e, por ser atemporal, pode-se dizer que vive num eterno presente – sua dor, sua ferida. Sua condição, portanto, integra em si mesmo os dois aspectos da arte terapêutica: de um lado, as ações dedicadas à cura de outros; de outro lado, a ferida em si mesmo, que necessita ser curada. Quíron pode ser visto, portanto, como uma figura que expressa a síntese de dois lados de uma mesma moeda, podendo ser visto também como a imagem da própria integralidade do arquétipo do terapeuta: homem/animal, curador/ferido. Essas facetas parciais, embora freqüentemente localizadas em polos opostos, estão, ao contrário, arquetipicamente juntas. Ora o foco é a cura, ora o foco é a ferida. Integradas em Quíron – o Curador-Ferido –, a “cura” e a “ferida” fazem parte da imagem integral do terapeuta, da mesma forma que a “pedra” e o “caminho” fazem parte de um único cenário.
BIBLIOGRAFIA SALLES, Carlos Alberto C. O Curador Ferido – A personalidade do terapeuta. McLYNN, Frank. Carl Gustav Jung – Uma biografia. Ed. Record. 1998. ZIMLER, Richard. O último cabalista de Lisboa. Ed. Livros Quetzal. 1998
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