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“Ser” e “estar” – a condição para o trabalho terapêutico  
Uma rápida olhada no dicionário define o verbete “ser” como um verbo predicativo ou um substantivo masculino. Como verbo, significa “ter um atributo ou modo de existir; ter a natureza de; consistir em”; e como substantivo, é “aquele ou aquilo que é; um ente”. “Estar” corresponde a um verbo de ligação e significa “encontrar-se ou manter-se em certa condição, estado ou posição”.
Recorrendo à corriqueira expressão “eu sou (isto ou aquilo)”, percebemos que essa fala nos atinge de forma direta, evocando em nós algo relativo à esfera da “solidez”, da “substância”, da “definição”, da “certeza”, da “segurança”. Por outro lado, quando ouvimos “eu estou (assim ou assado)”, somos transportados para um universo absolutamente distinto. “Estar” corresponde a uma condição necessariamente temporária, provisória e circunstancial. “Estar” significa, antes de tudo, ação, movimento, mesmo que tal condição se refira ao estado de “repouso”. “Estar” é sempre relacional e situado, ou seja, encontra-se em relação a um determinado contexto, pois como se lê no próprio dicionário, é um “verbo de ligação”. “Estar” vive, portanto, em contínuo movimento, é fluido e mutável. Isso me lembra um hai-kai do poeta Martinho Bruning, e que diz:

A nuvem que passa
deixa uma sombra que passa
no rio que passa.

Em contraste com esse universo absolutamente fluido e em constante transformação, temos o panorama do “ser”, que nos proporciona uma imagem sólida, definida, fixa, construída e substancial, onde tudo parece estar em seu devido lugar. Na verdade, analisando mais detidamente, “ser” parece até dispensar a noção de lugar e de contexto, se constituindo como algo que existe “por si”. Refere-se àquilo que, em termos de construção psicológica, podemos classificar como “abstrato”.
Neste sentido, “ser” se mostra como um estranho paradoxo, pois desde o nascimento, e possivelmente antes, estamos situados no mundo. Estamos em contato permanente com tudo o que nos cerca e vivemos alternadamente diferentes situações, diferentes estados emocionais em ambientes os mais diversos.
A partir das experiências, tanto com o mundo externo, quanto com o chamado mundo interno, vamos gradativamente construindo nossa personalidade, pois estamos permanentemente em formação e, ao que parece, assim estaremos até o fim da nossa caminhada pela Terra.
Mesmo admitindo a possibilidade de contínuas transformações durante nossa vida, de acordo com certas conclusões dos estudiosos da psicologia do desenvolvimento, a base de nossa personalidade estará formada por volta dos quatro ou seis anos de idade.
Por “base” podemos imaginar uma espécie de “alicerce” sobre o qual toda a formação da nossa “casa psíquica” estará estabelecida. Aliás, a imagem da casa como um elemento correspondente à construção psíquica parece, de fato, bastante apropriada. Nessa imagem podemos encontrar, simultaneamente, solidez e plasticidade, pois mesmo uma construção dessa natureza – sólida e concreta – permite ampla possibilidade de transformação. Além da decoração e da redistribuição do espaço interno, se tivermos um terreno amplo o suficiente, podemos inclusive acrescentar outros módulos à construção principal, com suas novas e respectivas bases ou alicerces, modificando a configuração da casa como um todo. Essa possibilidade de transformação e adaptação mostra-se, aliás, essencial para o trabalho terapêutico, já que qualquer proposta terapêutica necessita de algum potencial disponível para a mudança – por mínimo que seja.
Podemos nos concentrar apenas nestes dois aspectos – firmeza e flexibilidade – para fazermos leituras sobre todos os processos de nossas vidas. Procedendo dessa forma, estaremos recorrendo a uma espécie de linguagem binária, tal como é utilizada na estrutura interna do computador, tal como é empregada no I Ching, um dos mais estudados compêndios da humanidade, onde as noções de yin e de yang formam sua base. Com esta “linguagem binária” – firmeza e flexibilidade –, podemos até reavaliar nossas certezas, nossas crenças e, claro, muito mais, e, com isso, estaremos capacitados a “construir” e a “desconstruir”, estabelecer e modificar nossa personalidade e nossa participação no mundo. Ortega y Gasset costumava dizer que “eu sou eu e minhas circunstâncias”, ampliando assim o conceito convencional de “eu”, incluindo neste construto abstrato do “eu” o próprio meio circundante, o que implica o estabelecimento de uma relação mútua entre um e outro elemento (eu e circunstâncias), transformando-os em uma unidade.
Como se sabe, por volta de 1900 estavam nascendo a psicologia profunda e a própria psicoterapia moderna. Embora tais atividades tenham surgido a partir de influências provenientes de diversas fontes, a principal parece ter sido mesmo a prática médica.
Jung era médico, assim como tantos outros engajados em construir a psicoterapia e a psicanálise.
À medida que tais práticas iam sendo desenvolvidas, o panorama inicial – que sobrepunha a figura do psicoterapeuta à figura do médico – igualmente ia sendo modificado.
Reconhecendo a total especificidade da psicoterapia, Jung passou a referir que o médico não estava propriamente preparado para conduzi-la, já que seus estudos privilegiavam aspectos fundamentalmente técnicos, absolutamente irrelevantes para aquela atividade. Em outras palavras, a construção daquele tipo de saber e a própria configuração da personalidade do médico, mostravam-se incompatíveis com as necessidades da prática psicoterapêutica.
Apesar de reconhecer a necessidade de um preparo técnico e teórico, orientado especialmente para a natureza da atividade, e de propor inclusive certas disciplinas para figurarem como básicas no currículo específico do psicoterapeuta, Jung colocava o trabalho pessoal e humano como o elemento principal do processo. Se, por exemplo, o médico quisesse praticar a psicoterapia, seria necessário desconstruir sua formação inicial ou, pelo menos, integrá-la a uma nova formação especificamente construída e dirigida para a atividade psicoterápica, onde a ênfase estivesse baseada em seu preparo enquanto ser humano, envolvendo aspectos como empatia, sensibilidade e imaginação, entre outros.
Uma das transformações exigidas para o exercício dessa “nova” atividade correspondia à abordagem do “objeto” em questão. Diferentemente da medicina convencional, que segmenta suas ações e focos de atenção, trabalhando com estruturas como “fígado”, “rins”, etc., a psicoterapia trabalha sempre com a totalidade da pessoa humana.
Além disso, a concepção de “doença” – essencial na prática médica – precisa de completa reformulação.

“Na neurose, o médico não se defronta com um campo delimitado da doença, mas com uma pessoa doente. Esta não está doente por causa de um único mecanismo ou de um foco isolado de doença, mas está doente no todo de sua personalidade”. (p.151;§338) (4)

“O objeto da terapia não é a neurose, mas a pessoa que tem a neurose”. (p.151;§337) (4)

Da mesma forma, o psicoterapeuta estará, tanto quanto seu paciente, integralmente envolvido em sua prática, não só, portanto, do ponto de vista técnico, mas principalmente do ponto de vista pessoal.
Segundo referia Jung, em função dessa necessidade de participação integral, e não apenas parcial ou técnica, “venho defendendo há muito tempo de que o próprio psicoterapeuta* deve ser analisado. (...). É louvável que o psicoterapeuta* tente ser o mais objetivo e impessoal possível e se esforce por não imiscuir-se na psicologia do paciente (...); o artificialismo nesta relação traz, porém, conseqüências perniciosas Por isso não poderá ultrapassar os limites da naturalidade”. (Jung) (4)
A psicoterapia, pelo menos do ponto de vista junguiano, exige um preparo técnico e teórico específico e enfatiza o trabalho pessoal e humano do profissional, cujas referências pessoais – não apenas técnicas – são o ponto de partida para o trabalho com seu paciente, ou seja, estará trabalhando  a partir da construção integral de sua personalidade. Como uma decorrência desse princípio geral, a naturalidade do psicoterapeuta figura como parte integrante do processo, e nenhum artifício técnico deve – e, na verdade, sequer pode – disfarçá-la ou encobri-la. Para que justamente essa naturalidade não destrua os esforços terapêuticos, é necessário um intenso trabalho interior e pessoal com a dimensão humana do profissional.
O psicoterapeuta, portanto, precisa necessária e naturalmente “ser”, pois sua personalidade é uma construção não só integral, mas única, que compõe o que Jung denominava de “equação pessoal”. É com esta singularidade que o terapeuta conta para se relacionar com o paciente, formando com este um “par”. O principal “instrumento técnico” do psicoterapeuta é precisamente sua personalidade.
Por outro lado, Jung costumava aconselhar aos terapeutas que estudassem tudo o que pudessem, que se esforçassem para conhecer tudo o que fosse necessário, mas que, quando em contato direto com o paciente, esquecessem, tanto quanto possível, todo aquele saber, podendo estar totalmente ou principalmente receptivos, livres de qualquer posição ou idéia preconcebida. Nesse sentido, conta-se que Krishnamurti – filósofo e educador indiano – foi à palestra de um discípulo seu e que este, estranhando sua presença por ali, veio até ele e perguntou: “O que o senhor faz aqui, Mestre? O senhor é meu mestre! O que poderá, então, aprender comigo nesta palestra? Ao que Krishnamurti respondeu: “Estou vazio; deixei tudo o que sei do lado de fora”. Imagino que essa seja a atitude à qual Jung se referia como necessária ao psicoterapeuta durante o encontro analítico. No momento desse encontro com o paciente, aquela construção laboriosamente erguida pelo terapeuta, pedra por pedra, tijolo por tijolo, precisa se relativizar, se esvaziar, estando pronta principalmente para receber e para interagir de forma fluida, ingressando num espaço lúdico, contextual e de relação, onde a tônica é o movimento e a transformação. É o lugar e o momento de simplesmente “estar” e de “estar com o outro”.
Como se sabe, não é literalmente possível esse total “esvaziamento”; na verdade, nem mesmo é desejável. Nossa bagagem de conhecimento e nossa construção psíquica estarão sempre conosco, invariavelmente. Então, o que será que tanto Krishnamurti quanto Jung estavam nos dizendo?
A bagagem de recursos e de conhecimentos do psicoterapeuta precisa estar disponível e acessível com naturalidade e com rapidez imediata ou “automática” para ser acionada na medida da necessidade, sendo evocada no sentido de tornar o encontro uma relação criativa e produtiva em termos terapêuticos. Ao mesmo tempo, os complexos do terapeuta devem estar suficientemente trabalhados e relativizados em sua interioridade para não serem acionados involuntária e inconscientemente como uma espécie de resposta “reativa”, passando a dominar o panorama psíquico do profissional, impedindo sua fluidez no sentido de estar disponível para perceber e interagir livremente com seu paciente.
Em resumo, a tarefa do psicoterapeuta – prévia ao próprio encontro terapêutico e contínua em seu desenvolvimento – consiste em maximizar a possibilidade de utilização de conhecimentos pertinentes ao momento e minimizar a interferência de fatores indesejáveis de personalidade (complexos). É justamente essa configuração que pode ser entendida como “esvaziamento” e só pode ser composta a partir de um intenso e contínuo trabalho humano com a interioridade que, em termos atuais, está presente na formação do analista junguiano nas práticas de supervisão e análise pessoal.
O outro eixo da formação do psicoterapeuta corresponde aos aspectos teóricos específicos. Nesse sentido, uma das disciplinas sugeridas por Jung para figurar na formação do psicoterapeuta foi a Alquimia.
De acordo com Edward Edinger, segundo a tradição alquímica, dentre todas as operações utilizadas naquela arte, há duas básicas: coagulação e dissolução ou, como costuma aparecer na literatura, “coagulatio” e “solutio”. Edinger refere que, em muitos textos alquímicos, a opus inteira pode ser resumida pela frase: “Solve et coagula”, ou seja, “dissolve e coagula” ou, numa tradução livre, dissolve e forma. Qual seu significado? O que aqueles alquimistas, solitários e imersos em seus laboratórios, estariam expressando com esta formulação aparentemente tão simples e, ao mesmo tempo, tão ampla que era evocada inclusive para resumir uma arte tão complexa como a Alquimia?
Como se sabe, muitos ainda hoje – e dentre esses, alguns até com certa erudição – concebem a Alquimia simplesmente como a prática pré-científica da química moderna, parecendo estabelecer essa identidade a partir de elementos exteriores da arte: o laboratório, os vidros, os fornos e outros, esquecendo os elementos mais essenciais e significativos, como: a mística, a religiosidade, a finalidade da opus, a atitude do alquimista frente ao mundo, etc. Tal distorção, aliás, parece ser típica da própria forma como os chamados “modernos” olham e compreendem os chamados “antigos”, pois, como também se sabe, outras ciências da antiguidade têm o mesmo tratamento preconceituoso e parecem não se encaixar e não ter qualquer utilidade ou função em nosso organizado e pretensiosamente científico mundo atual.
Ao contrário de muitos, portanto, ao voltar-se para o estudo da Alquimia, Jung identificou uma maior proximidade entre aquela velha arte e a própria psicologia profunda, pois concluiu que o alquimista trabalhava com sua matéria-prima numa base essencialmente projetiva, ou seja, olhava e manipulava os objetos, substâncias e processos em seu laboratório a partir das referências interiores que projetava inconscientemente na matéria.
Antes de tudo, o alquimista, tal como outros mestres daqueles tempos idos, trabalhava com uma forma típica de pensamento e de envolvimento com o mundo, elaborando analogias preciosas entre o interior e o exterior, entre isto e aquilo e, com esse procedimento, ampliava e aprofundava seu conhecimento sobre o mundo e sobre si mesmo. Sem o saber, o alquimista acionava a própria psique nesse trabalho. Na verdade, era a psique que trabalhava e assim o fazia de modo um tanto independente das interferências do ego. Com essa forma de proceder, oportunizando a natural expressão da psique, tudo se mostrava ao alquimista como naturalmente relacionado, sendo parte integrante do mesmo Todo. A própria matéria era viva e tudo no universo era repleto de alma!
James Lovelock, estudioso contemporâneo e autor da controversa “hipótese Gaia”, teve suas conclusões a respeito do “planeta vivo” recebidas com grande dose de ceticismo por parte do mundo acadêmico da atualidade, de tal modo está disseminada entre nós a concepção de que, quando falamos de um planeta, estamos falando de um “objeto” – e, portanto, de algo morto – e não de um ser vivo. Se Lovelock fizesse uma visita aos alquimistas do passado e pudesse, então, expor suas idéias “inovadoras” sobre o planeta vivo, seria recebido com risos incontidos que, com certeza, chegariam rapidamente às lágrimas; afinal, a idéia de Gaia, o planeta vivo, só é novidade para nós, os modernos, pois para eles, os antigos, isso fazia parte de um saber comum e bastante óbvio, não sendo por isso mesmo nenhuma novidade. Tal “conhecimento”, aliás, acompanha a humanidade desde os seus primórdios, pois trata-se de uma idéia  arquetípica. Perceber, elaborar e expressar a imagem da Terra como um ser vivo é típico da humanidade desde sempre, é uma imagem primordial da psique – menos para nós, os modernos. Talvez por isso, em função dessa imagem distorcida e superficial que temos sobre a Terra, é que estamos literalmente “envenenando” o planeta; afinal, “ele já está morto e, portanto, não pode morrer de novo”! Ou, ainda pior: “ele nunca foi vivo e, portanto, não pode morrer, ora bolas”! Essa atitude visceralmente inconsciente diante da vida do planeta, por exemplo, por si só revela que estamos muito longe de nossas raízes psíquicas e criando um mundo totalmente artificial à nossa volta, no qual, aliás, estamos metidos, ora bolas!
Jung identificou os processos alquímicos, bem como a forma alquímica de lidar com a realidade, como um trabalho da psique arquetípica, ou seja, ao operar supostos processos químicos, a psique estava revelando a si mesma e seus movimentos, mostrando-se a partir de imagens, analogias e processos em ação. Em certo sentido, “ler” a alquimia é “ler” a própria psique.
Certo dia, chegando ao trabalho, tive a oportunidade de observar alguém que chegava ao mesmo tempo. Aquela pessoa que eu displicentemente observava parecia com muita pressa, estava quase sem fôlego, desorientada e com o semblante preocupado.  Espontaneamente, me fiz a pergunta: “Será que é sempre assim”? Por alguns momentos aquela imagem sumiu de minha mente, mas, logo a seguir, já estava sentada à minha frente, na sala de atendimento, expondo sua situação e os motivos que a traziam até mim.
Minhas próprias sensações e fantasias iniciais eram confusas e instáveis, a ponto de eu não saber por onde começar o trabalho.
Na sequência das sessões de atendimento partilhou um sonho que, em resumo, apresentava um cenário totalmente devastado e desolador: todos os prédios e construções da cidade foram destruídos, restando apenas um intacto.
Sua narrativa era solta, cambiante, e em sua fala, desmanchava-se de encantos pela nem tão nova cidade em que agora morava para, no encontro seguinte, referir que estava decidida a ir embora e voltar para sua querida terra natal.
Fui percebendo, aos poucos, que o terreno em que se movimentava era tão movediço que não parecia haver neste universo nenhum ponto estável, exceto talvez aquele solitário prédio em meio a uma cidade completamente destruída. Seu ambiente psíquico estava quase todo desmantelado, desmanchado, dissolvido.
N’outro dia, trabalhando com outra pessoa, estávamos em sessão falando mais uma vez de sua experiência escolar. À medida que a narrativa prosseguia, mais se intensificava em mim a sensação de que já havia visitado aquele lugar, pois já tinha inclusive ouvido tudo aquilo. Eram as mesmas cenas, as mesmas falas, a mesma expressão, a mesma reação gestual, tudo parecia como que reproduzido, tin tin por tin tin, como se tivesse sido gravado. Repetição, aliás, não era novidade, nem indesejável, já que essa pessoa apreciava exatamente a rotina, em que o dia de hoje deveria ser igual ao dia de ontem, e o de amanhã a cópia dos dois primeiros. Não se dispunha a fazer novas amizades, pois dizia que já as tinha em número suficiente – eram todas “sobreviventes” do primeiro grau. E isso já fazia muito, muito tempo!
Em outro momento, trabalhando com outro assunto, dizia eu: “Mas, olha, já se passou tanto tempo desde este fato doloroso que estás contando. Será que não seria o momento de tentar novamente...”. Mal terminava minha fala, e ouvia em resposta um sonoro e lacônico “Não” – acompanhado de um olhar ameaçador.
Embora jovem e repleto de potencial a ser exercitado, sua formação havia como que “cozinhado muito”, endurecendo em demasia no forno de sua interioridade. Todo o seu universo era agora de total rigidez; praticamente nada permeável e praticamente nada flexível, como se tudo naquela vida simplesmente houvesse paralisado, engessado e coagulado em excesso, não possibilitando qualquer circulação de energia psíquica, tal como uma água que, parada, literalmente apodrece e morre.
Mesmo que não conhecêssemos nada de psicologia profunda, apenas prestando atenção naquela máxima alquímica, saberíamos, em linhas gerais, o que, em cada um dos casos apresentados, seria a proposta terapêutica a ser aplicada.
“Solve et coagula” é uma formulação ancestral, proveniente da Alquimia, uma ciência considerada arcaica e inútil, mas que, certamente, pode orientar muito do trabalho da psicoterapia moderna, se for corretamente lida e compreendida.
____________

* No original se lê “médico”. Apesar de procurar esclarecer as
diferenças e tornar específicas suas áreas de atividades, Jung
continuava a empregar o termo “médico” de forma aparentemente
indiscriminada.


BIBLIOGRAFIA
1.EDINGER, Edward F. Anatomia da psique – simbolismo alquímico na psicoterapia. Cultrix.
2.HALL, James. A experiência junguiana – análise e individuação. Cultrix.
3.JACOBY, Mario. O encontro analítico – transferência e relacionamento humano. Cultrix.
4.JUNG, C.G. Civilização em transição. Vozes.
5.JUNG, C.G. Freud e a psicanálise. Vozes.
6.JUNG, C.G. A prática da psicoterapia. Vozes.

 
 
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