Home link1
Instituto link2
Atividades link3
Psicologia Analítica  
Profissionais do IJRS link15
Informações link17
Monografias link18
Artigos link5
Agenda link6
Cursos link14
Projetos Culturais link16
Biblioteca link10
Fotos link7
Links link8
Visitas link13
Contato link9
 
Procurar em
 
Psicologia Analítica  
   
Psicologia Analítica
 

Não pretendemos aqui apresentar um estudo sistemático da teoria e da prática da psicologia analítica. Dado ao seu profundo e complexo dinamismo e riqueza teórica, pretendemos deixar alguma pinceladas dessa bagagem deixada por Carl Gustav Jung sem entrar em seus conceitos fundamentais que poderão ser consultados através dos diversos livros sobre o assunto.

Murray Stein nos coloca Jung como um cartógrafo a desvendar o mapa da alma, deixando para nós uma descrição desse domínio que é a psique. Nascido em 26 de julho de 1875, Kesswill, Suiça, Jung teve uma trajetória de destaque e riqueza interna que o levaram a buscar o interesse pelo mundo da psique. Formou-se em medicina em 1900 e fez sua especialização em psiquiatria no Hospital Burghölzli, Zurique, até 1905. Foi assistente de Bleuler da qual teve sua primeira influência e principalmente de Pierret Janet com seus estudos na Salpetrière em Paris. Começou em 1907 uma troca intensa e mútua colaboração com Freud que durou até 1913, quando assinalou as diferenças teóricas com o pai da psicanálise através do trabalho "Psicologia do inconsciente", mais tarde publicado através do livro "Símbolos e Transformações". Neste material, Jung expressa uma postura que procura evitar o reducionismo sexual para o conceito de libido, assumindo o mesmo como energia psíquica e formalizando sua ruptura com Freud.

A partir daí, começou um longo e criativo trabalho de vasculhar e apresentar uma descrição e compreensão da psique. Faleceu em 06 de junho de 1961 em sua casa em Küsnacht.

Em sua obra, podemos designar os seguintes tópicos gerais abordados: estrutura da psique; dinâmica e atividade da psique e uma parte prática baseada nas anteriores, como método terapêutico.

Mas o mais importante que queremos assinalar é a forma que ele apresenta a psique, de como se posiciona para entendê-la com seus pressupostos epistemológicos e paradigmáticos.

Questões como o Self é o principio e o fim o mesmo tempo, que o arquétipo é uma força atratora e possui um poder transgresssivo, que a mente possui uma base mito-poética, que o inconsciente é produtivo-criativo, que existe uma dimensão objetiva no inconsciente, que imagem é realidade, que a psique depende do corpo e o corpo depende da psique, que a psique tem uma função auto-reguladora, que possui um aspecto não racional, que também possui uma dimensão religiosa, que está regida por uma visão finalista (teleológica), que se comporta de maneira paradoxal e que sempre busca a realização de sua totalidade, são algumas posições que nos dão uma pálida idéia do quão revolucionário e complexo é o pensamento junguiano.

Jung refere que a psique é um objeto de estudo que tem propriedades que por ora só podem ser apreendidas através de antinomias, como é o caso da luz que apresenta tanto uma natureza ondulatória e corpuscular. Uma antinomia é, do ponto de vista filosófico, o conflito entre duas afirmações demonstradas ou refutadas aparentemente com igual rigor. Sendo a psique infinitamente mais complexa do que a luz, podemos reconhecer o quanto essa pluralidade de antinomias são necessárias.

Isto exige que a psique seja olhada de diversas perspectivas e para chegarmos perto de uma descrição satisfatória da essência do psiquismo. Consequentemente, a abordagem junguiana baseia-se numa visão de complexidade, não-linear, sistêmica e de totalidade.

Conceitos e idéias como complexidade, paradoxo, processualidade, intersubjetividade, auto-organização, instabilidade (não previsibilidade), a não separação sujeito/objeto, a contemplação de ambos os aspectos: inteligível e sensível, racional e mítico, são importantes para entender que Jung se situa numa concepção de ciência que está inserido mais perto de um paradigma que se tem caracterizado como holístico, ecológico-sistêmico, complexo ou pós-estruturalista.

O importante a considerar é que para Jung a psique exige um foco mais ampliado de observação, a consideração que existe inúmera relações e que a idéia de coletivo, impessoal, como por exemplo o conceito de inconsciente coletivo, está em relação com o de pessoal, dando ênfase a dinâmica das diversas relações. Tanto, que o processo terapêutico é visto como um relacionamento onde ambas as partes estão mutualmente envolvidas num processo dialético. Com nos diz Jung, a atitude pessoal do paciente é o fator mais importante na neurose, bem como a atitude total do terapeuta. Para ele, todo o psicoterapeuta não só tem o seu método, ele próprio é esse método. É a personalidade do terapeuta o grande fator da cura.

Assim é, que nossa página, na sua apresentação, oferece a citação que se lê num velho tratado: "Ars requirit totum hominem", como o grau mais elevado do trabalho psicoterapêutico.

Jung teve uma extraordinária capacidade para intuir os grandes temas que agora, na atualidade, estão sendo pesquisadas e valorizadas. Muitas de suas idéias antecipam os interesses e preocupações intelectuais e socioculturais de nossa sociedade. Muitos autores apresentam Jung como alguém que oferece uma das contribuições mais notáveis e influentes do nosso século. A Psicologia Analítica, como nos relata Polly Young-Eisendrath e Terence Dawson, com seus eus descentrados, realidades múltiplas, função dos símbolos, a importância do desenvolvimento adulto, a autodescoberta espiritual e a necessidade de perspectivas multiculturais, nos apresenta uma gama de possibilidades e instrumentos para contribuir no entendimento da psique, para um estudo rico e abrangente da psicologia.

 
 
 
   
Instituto Junguiano do Rio Grande do Sul
filiado a AJB - Associação Junguiana do Brasil
e à IAAP - International Association for Analytical Psychology
 
 
 
Desenvolvimento Luciano Luconi